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FELICIDADE!

Postado às 18:37 | 0 comentários

felicidade
fe.li.ci.da.de
sf (lat felicitate) 1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito.

Felicidade é algo dificil de descrever, assim dessa forma, como o dicionário faz. Na verdade, é impossível.
Tem felicidade "grande, felicidade "mais ou menos", e felicidade "pequena". Mas a felicidade em si não necessariamente é pequena, ela pode ser gigantesca, mas o que a causa é algo, talvez pra alguns, pequeno. Mas ai é cada um com seus "cada uns".

Domingo, em Porto Alegre, um "algo pequeno" proporcionou uma "felicidade gigantesca". Beira a impossibilidade descrever o ocorrido de forma resumida, mas que todos entendam. Vou ser sincero, na verdade, só iremos entender, nós, apaixonados pelo Pelotas.

"Mofamos" na segundona, indo de potreiro em potreiro, nos molhando em invernos gelados, vendo jogos terríveis em todos os sentidos. Mas enfim, voltamos. E voltamos pra desfrutar o que o futebol tem de melhor aqui por esses cantos. Jogos melhor jogados, com alguma qualidade, em estádios com alguma qualidade, sem passar um frio desgraçado.

E dentre esses jogos, alguns são bons e outros são muito bons.
Depois de uma derrota como a que aconteceu em Pelotas, qual era a expectativa pra enfrentarmos o "Campeão de Tudo"?
Pois é, deveria ser nenhuma, mas explica isso pros 500 ou mais enlouquecidos que foram até la, por fora vestidos de azul e amarelo, e por dentro revestidos de esperança, crença, fé, vontade, ilusão e até certeza!

Eu te apresento eles, mas vai ser dificil, beleza?

Se quiser explicar, tenta explicar. Mas só vai ser possível, talvez, no intervalo. Porque na viagem, antes, durante e depois do jogo eles estão, todos, ocupados, cantando em devoção ào Esporte Clube Pelotas. Não adianta bater palma, vais parecer só mais um entre eles, não adianta pular, vais fazê-los pensar que mais um maluco se juntou, não adianta pedir silêncio, eles estão ocupados olhando 11 camisas azul e amarelas lutando, e por favor, não adianta gritar.

Ah, não adianta mesmo. Nem pensa nisso. Vais ficar frustrado rapidamente.
Eles cantam mais alto que tu, e sempre vão cantar. Não, eles não gritam. Eles cantam. Como um bobo apaixonado mostrando sua paixão à amada. E eles não param. Cantam de todas formas, de todos os jeitos. E não pensa que quando os instrumentos param, e todos aqueles malucos se multiplicam por 2 batendo palmas de braços erguidos, que eles estão finalmente terminando aquele barulho ensurdecedor, porque o silencio apenas precede mais um estrondo que emana paixão.
E não tenta esconder a lagrima correndo, quando todos eles cantam com a alma o hino do seu Clube.
É, com a alma mesmo. Estudos médicos um dia irão provar que quando eles cantam especialmente o hino do Pelotas, o pulmão fica parado, dando lugar com muito respeito à alma. Que trabalha prazerosamente, expulsando la de dentro tudo que "eles" tem guardado por la, todas lembranças boas, tudo que sentem de bom. Eles deixam tu chorar, porque eles também choram, o melhor choro que existe.

Lembra daqueles jogos "muito bons"? Bom. O que achas de enfrentar o tal campeão de tudo, que pagaria toda tua folha salarial com o salario de apenas um jogador, no tal gigante, e exatamente no jogo em que o treinador acha que foi a melhor partida do seu milionário e mega-estruturado time? Não cara, não era o time reserva e nem time-b muito menos o time-c. Eram eles sim, alguns campeões do mundo e tudo.

Pois é, era o tal jogo muito bom mesmo. E foi. E não adiantou tudo isso descrito acima, porque algo de especial evaporou daquela arquibancada atrás do gol, e foi inalado por todos jogadores do Pelotas. Teve gente dizendo que era pura paixão em forma de gás, mas eu não sei não. Só sei que eles enfrentaram tudo que ia contra eles, e não se entregaram nunca. Melhor jogo do outro time? A partir de agora vai precisar bem mais pra ganhar deles.

Ah é, vou te repetir. Cara, não adianta gritar. Porque no tal domingo, outras vozes, que eram 30 ou 40 vezes a mais que os malucos de cá, tentaram, mas não conseguiram fazê-los ficar em silêncio. E 90 minutos foi pouco, há quem diga que eles ainda deram uma pequena aula de 30 minutos pros ultimos a sairem do estádio, porque acharam que o tal gigante parecia muito triste, e sabe como é, maluco gosta mesmo é de FELICIDADE!


-> Texto de Guilherme Farias publicado e extraído da comunidade do Pelotas no orkut, que, com toda certeza, retrata muito bem o sentimento de cada coração azul e ouro presente no Beira-Rio "naquele" domingo.
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Livro do Centenário

Postado às 03:48 | 0 comentários

Mais do que um livro, esta obra pode ser considerada um verdadeiro almanaque da história azul e ouro. Este verdadeiro resgate histórico do Esporte Clube Pelotas é contado em 170 páginas totalmente coloridas.


A pesquisa e organização do projeto é de Carlos Francisco Sica Diniz (presidente do conselho no ano do centenário e atual vice do conselho). Carlos Diniz é também o autor da maior parte dos textos no livro. A diagramação é de Guilherme Tavares. A produção gráfica, impressão e acabamento foram realizados pela Editora e Gráfica Pallotti em Porto Alegre.

Colaboraram com artigos os destacados áureo-cerúleos: Ambrósio Bento Goicochea Andrade, Guilherme Franck Tavares, João Félix Soares Neto, Mário Osório Magalhães, Sérgio Oliveira e Paulo de Mello Aleixo.

O livro está sendo comercializado ao valor de R$ 100,00, na LoboMania.
Também disponível na internet a 90,00 reais. No futebooks e no Livros de futebol.com

Sinopse:

O Esporte Clube Pelotas é um dos clubes mais antigos do País, estando em atividade ininterrupta desde 1908, considerado uma das maiores forças do futebol Gaúcho e de uma das mais fanáticas torcidas do estado.

Esta obra, lançada em dezembro de 2009, comemora o centenário do clube, fazendo um resgate histórico em forma de almanaque, com 170 páginas totalmente coloridas e ilustradas com 198 fotografias e imagens.

Inicialmente a obra contextualiza o momento histórico da fundação do Esporte Clube Pelotas.

Através de uma narrativa agradável e envolvente, o leitor é levado a passear por toda a história do clube, destacando curiosidades, conquistas, personalidades de dentro e fora do gramado, até a chegada do centenário.

Ao longo deste trajeto, destacam-se pequenos artigos recuperados de publicações históricas, fotografias raras, jogadores que marcaram época.

O livro traz ainda artigos com histórias de arquibancada, destaca os esportes amadores, hoje extintos no clube (basquete, tênis, futsal e outros), o surgimento da alcunha e do mascote "Lobão" e o crescimento do Estádio Boca do Lobo.

Edição para colecionadores, com acabamento de luxo: capa dura revestida em tecido, com impressão em dourado, sobrecapa colorida e formato grande (230mm x 300mm). É um livro projetado para proporcionar uma grande experiência estética e literária, podendo ser aberto aleatoriamente em qualquer página para se iniciar uma nova e empolgante leitura.

O projeto gráfico é de Guilherme Tavares. Co-autores: Ambrósio Andrade, Guilherme Tavares, João Félix Neto, Mário Osório Magalhães, Paulo de Mello Aleixo e Sérgio Oliveira.

É uma obra recomendada não somente aos torcedores do Pelotas, mas a todos aqueles que apreciam o futebol e uma boa leitura, e desejam conhecer um pouco mais sobre a história do futebol gaúcho e de um dos seus mais importantes protagonistas: o Lobo da Avenida, o Áureo-Cerúleo dos Pampas, ou, simplesmente, Esporte Clube Pelotas.

A pesquisa e organização do projeto é de Carlos Francisco Sica Diniz, também autor da maior parte dos textos no livro. Também colaboram com artigos e capítulos os co-autores: Ambrósio Bento Goicochea Andrade, Guilherme Franck Tavares, João Félix Soares Neto, Mário Osório Magalhães, Sérgio Oliveira e Paulo de Mello Aleixo.

+ Trecho Contracapa

Na implacável sucessão de incansáveis, ensolarados, chuvosos domingos, lembro-me dos triunfos, dos gols que ficavam gravados na memória e nos apagados clichês dos jornais, das conquistas dos campeonatos da cidade e dos títulos regionais que davam seguimento às finais do estadual, dos clássicos, dos enfrentamentos com a dupla Gre Nal e também das tardes de derrotas, que estragavam o meu sono de fim de semana e azedavam as segundas feiras


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Em 1953, o jornal carioca Correio da Manhã lançou um concurso, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos, para a escolha de um novo traje para o escrete nacional. Uma única exigência: as cores deviam ser as mesmas da bandeira brasileira. A notícia chegou aos ouvidos de um jovem e talentoso chargista, de 18 anos, que morava em Pelotas, Rio Grande do Sul.
Seu nome: Aldyr Garcia Schlee. Nasceu em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Como ainda não havia BR 116 nos anos 30, Porto Alegre era um outro mundo se comparado ao país vizinho. Assim, conheceu o futebol através dos periódicos do país vizinho, transformando-o, ironicamente, num torcedor da Celeste Olímpica! Enfim, Aldyr Schlee mudou-se para Pelotas, onde fazia charges para o DP, anos mais tarde, se tornaria escritor, jornalista e professor.
Desenho de Schlee.

Enfim. Durante três dias, testou várias combinações com as quatro cores possíveis. Achou a maioria delas um exagero, mas enfim. Um dos três desenhos que Aldyr Schlee enviou ao jornal carioca era de uma exuberante e agradável simplicidade: um atleta durante um jogo vestindo camisa amarela lisa, com alguns detalhes verdes na gola e nas mangas, calção azul com detalhes brancos, e meias brancas.
O uniforme bolado por Aldyr Schlee lembrava o de um dos três times da cidade: o Esporte Clube Pelotas, cujas cores são justamente o amarelo e o azul, usados respectivamente na camisa e no calção. Por isso, o Pelotas é chamado por sua torcida de áureo-cerúleo, inspirado pelo uniforme do Esporte Clube Pelotas, ele venceu 201 candidatos no concurso promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã para a escolha do novo uniforme da seleção. Após o concurso, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), oficializou o uniforme. Como prêmio, Aldyr ganhou o equivalente a vinte mil reais e um estágio no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, onde pode conhecer e conviver com figuras expoentes do jornalismo da época como Nélson Rodrigues, Antonio Calado, Millor fernandes e Samuel Wayner.

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Sou carioca, nunca estive na cidade de Pelotas, mas do esporte Clube Pelotas eu sei tudo. Do famoso bra-Pel, então sei que o Glorioso nunca perdeu um jogo.

Por saber tanto do pelotas hoje sou seu torcedor. E é muito fácil de explicar o porquê. Desde pequeno, me acostumei a ver meu pai, todos os domingos com a camisa azul e amarela, do time gaúcho. Meu pai dizia: "Hoje é domingo, o Pelotas deve estar jogando, é preciso torcer, mesmo á distância".

Nas festas em nossa casa, aniversário, etc. lá estava ele com a camisa Áureo Cerúlea. Nas festas de fim de ano, aqui no Rio, é tradição - a maioria da população vestindo branco para ter sorte no ano novo, menos meu pai, ele veste a camisa do Glorioso, para que no ano novo o Pelotas tenha mais vitórias. Volta e meia ele canta o hino, parece que está vendo um jogo na Avenida. Por todos esses motivos eu me orgulho de ser Áureo Cerúleo.

Sei que o Pelotas nunca perdeu, é o time do mundo que mais jogos ficou invicto. Sei que o estádio da "Boca do Lobo" é o maior e melhor do interior do Rio Grande do Sul. Sei que churrasco do bom só se come no Lobão, que a grama do nosso campo veio da Inglaterra.

Meu pai sempre diz que, se em 1950 o goleiro fosse o Joãozinho e se no ataque estivesse o Pacheco, o Brasil teria derrotado os Uruguaios no Maracanã. Nunca existiu um time como o de 1951, com Joãozinho, Martiarena, Nonô, Bentinho, Pacheco, Airton, Goldemir e outros. Meu pai sempre diz que quem não viu o Bentinho jogar acredita que o Garrincha foi o melhor ponta direita do mundo. O Garrincha perto do Bentinho seria no máximo um "aprendiz de feiticeiro".

Eu e meus irmãos crescemos ouvindo estas e outras estórias. Meu pai também me contou que num domingo em salvador(BA), ele foi à concentração do time rival com a camisa do pelotas. Nunca vi o Pelotas jogar, mas acredito que um clube que tem um torcedor assim só pode ser grande. Por todos estes motivos é que me orgulho de ser ÁUREO CERÚLEO, azul e amarelo são as cores do meu coração.

Parabéns glorioso PELOTAS, pelos teus 100 anos, QUEM NÃO TE AMA NUNCA SENTIU EMOÇÃO.

(Marcelo Oliosi - O Smigol da Sportv, jornalista esportivo que tem programa na rádio OiFM -RJ, filho de José Oliosi.)

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Jogadores do Pelotas cantando as músicas da TORCIDA, depois do título da Copa RS.

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O texto a seguir foi redigido pelo volante do Esporte Clube Pelotas, Tiago Rocha, um dos responsáveis pela conquista da Copa Lupi Martins no ano do centenário. Ele apresenta ao torcedor do Lobão um novo e interessante ponto de vista sobre o título alcançado e mostra que o orgulho de ser áureo-cerúleo vai além das arquibancadas e contagia também os atletas do Pelotas.

Clique em link post e confira:


"Jamais se vence por acaso: há sempre mérito e competência quando se consegue atingir um objetivo. Mas existem vitórias que são mais significativas do que outras.
São aquelas em que se consegue identificar claramente o que nos levou ao êxito. E na nossa recente conquista no dia 30 de novembro de 2008, ficou muito fácil saber o que nos levou à vitória. Obviamente não foi um só fator e sim uma série de motivos, mas podemos sintetizar em uma só palavra: comprometimento.

Se comparássemos nossa conquista a uma árvore, nosso comprometimento seria a raiz, que nos fez permanecer unidos nos momentos em que tentavam arrancar-nos do chão. Ou acham que esquecemos do início da Lupi, das cobranças de setembro, das críticas? Não, não esquecemos! Sabíamos exatamente o que estava acontecendo; passando por uma maratona de jogos, jogando a cada dois dias, nossos treinamentos eram praticamente dentro do ônibus, não havia tempo. Vínhamos de um duro golpe que foi o não acesso à elite do futebol gaúcho (verdadeiro lugar do Pelotas), mas sabíamos do nosso potencial, sabíamos que esse grupo tinha condições de dar a volta por cima.

Provar que tínhamos condições de ter subido o Pelotas e que por um ou outro motivo (que não cabe comentar agora) não havíamos conseguido - foi por isso que aceitamos a redução salarial e foi por isso, principalmente, que pedimos pra entrar na competição. Pedimos pra jogar essa Copa, pois sabíamos que podíamos terminar o ano dando alegria ao torcedor áureo-cerúleo. Queríamos isso! Por isso, o discurso de todos naquela época era o mesmo, nada combinado. Era o que sentíamos realmente. Pedíamos tempo; solicitávamos que tivessem paciência, pois logo o time iria encaixar. Mesmo assim, as pessoas não davam trégua... nossas respostas começaram a ficar repetitivas, monótonas.

Num jogo difícil em Bagé, estréia do Gilmar, onde saímos ganhando, tomamos a virada, fomos buscar o empate e perdemos nos acréscimos finais, me foi perguntado porque o grupo do Pelotas tinha um discurso conformado. Conformado? Ele realmente não viu o mesmo jogo que eu! Mas a vitória não vinha, dizer o que? E como foi dolorida aquela derrota, como aquela semana foi difícil! Três jogos fora e apenas um ponto conquistado. Sabe o que nos fez permanecer juntos? Comprometimento e profissionalismo; identificação com a causa, com o momento. A exata compreensão do instante do clube, a importância do ano e a relevância de não deixar passar em branco o Centenário do Esporte Clube Pelotas!

O olhar era de desconfiança, esse era o sentimento de todos, mas não o nosso... não! Nós tínhamos a certeza. Confiávamos uns nos outros. Nosso torcedor, machucado nessa época ,ainda era um pouco descrente, estava ferido - mas não estava morto! O Gilmar, como um bom jardineiro, não deixava de regar a raiz um dia sequer. E nós fomos crescendo. Adquirindo confiança. E foi assim que veio a vitória contra o Porto Alegre na Boca, de virada. A partir dali veio uma seqüência de vitórias que fez mudar a opinião das pessoas de fora do vestiário, porque lá dentro nós já sabíamos.

A torcida começou a perceber que ali estava um grupo diferente, um grupo que jogava com raça, com garra, com sangue... um grupo que se entregava nas partidas, doava-se nos jogos, queria mais do que ninguém as vitórias! E, aos poucos, nossa torcida começou a aparecer em maior número. E nós fomos sentindo a força que vinha das arquibancadas. A árvore começava a crescer forte e retribuir o apoio com frutos, vitórias, dedicação. Essa combinação, essa sintonia, essa troca foi fazendo com que ficássemos praticamente invencíveis em nossos domínios. Também éramos fortes fora, e os adversários foram caindo um a um. Foi assim que garantimos a liderança com alguns jogos de antecedência.

E então chegaram os “mata-matas”. Em uma conversa, dentre as inúmeras que tivemos, ficou estabelecido que seríamos os campeões. Praticamente todos se manifestaram... estava selado o pacto! Estava escrito o destino! Aquele grupo estava fadado ao sucesso na Copa FGF. Nós estávamos mais fortes do que nunca, extremamente confiantes. Mas era do conhecimento de todos que ainda não havíamos vencido nada. Era preciso redobrar as doses utilizadas até ali, multiplicar a entrega, intensificar o trabalho e aumentar consideravelmente a raça, a garra e a doação. Mas um grupo vencedor não se faz só disso. Não bastam somente esses ingredientes. Não se constrói um conjunto vitorioso da noite pra o dia. É necessário amizade, companheirismo, respeito, admiração, união, sinceridade, honestidade, paciência, renúncia, abdicação, privações, sacrifício, etc. E nesse grupo não faltou nada disso, principalmente qualidade: nosso grupo tinha muita qualidade!

Claro que houve problemas, discussões, desentendimentos, mas todos facilmente resolvidos. Até nisso esse grupo era especial! Errar é humano, às vezes agimos por impulso e instinto, mas arrepender-se do erro é grandioso, é nobre e, especialmente, difícil! É árduo pedir desculpas, dar a mão à palmatória; é custoso admitir. Mas todas as questões foram resolvidas com serenidade, sensibilidade e postura firme, quando preciso. E tudo isso colaborou para o resultado final.

Cada jogo virou decisão, vivenciada uma de cada vez, passo a passo, sem queimar etapas. Independente dos resultados, os adversários foram sempre tratados com respeito. Estávamos muito fechados, se alguém quisesse nos vencer, principalmente em casa, teria que fazer um esforço sobrenatural, pois nós tínhamos um compromisso: brigar por cada espaço de campo, não deixar o adversário respirar! Não tinha bola perdida. A torcida notou isso e começou a empurrar cada vez mais. O Guarani sucumbiu; o Riograndense não resistiu. Na semi-final o oponente foi o Caxias, teoricamente o adversário mais qualificado até então. Esse confronto foi considerado por nós uma final antecipada.

No jogo em Caxias do Sul, o sinal de que algo de bom estava reservado pra esse grupo de jogadores. Perdíamos o jogo por 2x0; àquela altura, o resultado estava fazendo com que o jogo de volta em Pelotas ganhasse contornos de dramaticidade: precisaríamos de 3 gols! Mas eis que no finalzinho da partida, um gol! Uma injeção de ânimo! Um aceno de que as coisas estavam a nosso favor. Agora era apenas uma vitória simples na Boca. Necessitávamos de um gol, e ele veio. Com o estádio ocupado por um número expressivo de torcedores, o Caxias era mais um que tombava na Boca do Lobo... estávamos na final da Copa Lupi Martins!

Tínhamos a oportunidade de vencer um título no ano do Centenário, e a possibilidade de dar uma alegria àquele torcedor sedento. Tínhamos a chance de provar que éramos um grupo de vencedores,a capacidade de fazer felizes nossos familiares, escrever nossos nomes nas páginas desse clube centenário de tanta tradição e glórias! A oportunidade de escrever a história. Mas, principalmente, queríamos dar a nós mesmos esse presente, oferecer uns aos outros, porque era essa a forma de demonstrar o quanto estávamos satisfeitos em trabalhar juntos. A honra e o prazer que foi passar todo o ano juntos,compartilhando alegrias e tristezas. E nada nem ninguém conseguiria nos demover desse objetivo.

E foi dessa forma que viajamos para Gravataí, fortes como nunca. O compromisso dessa vez era fazer o nosso melhor jogo fora de casa. E assim foi, o placar ficou em 0x0, mas fomos melhores no jogo. A torcida áureo-cerúlea invadiu Gravataí! Mas o mais importante é que levávamos a decisão para Pelotas. Seria lá, no nosso caldeirão, com o apoio da nossa torcida: A MAIOR E MAIS FIEL! Lá onde havíamos nos tornado invencíveis, era lá que a história seria escrita. Na Boca do Lobo!

Os dias que antecederam esse jogo foram de muita ansiedade, mas também de muita confiança. Em nossa conversa no hotel após o lanche, horas antes da partida, quantos testemunhos sinceros e de coração! Quem se manifestou, fez isso desprovido de qualquer vaidade, despido de qualquer jactância. E os que não se manifestaram, mantinham os olhos atentos e faziam questão de demonstrar que, embora não se expressassem, por características pessoais, estavam tão concentrados quanto os outros. Todos sabedores do momento que estava por vir e quão importante ele era. Essa era outra característica desse grupo, todos se respeitavam em suas particularidades, os mais experientes e os mais novos em mútuo respeito.

A chegada ao estádio, o calor da torcida esperando o ônibus, o corredor entusiasmado feito por eles para que passássemos e sentíssemos que não estávamos sós. A palestra do Gilmar, emocionante; ao término a comoção era tão grande que todos disseram não sentir necessidade nem de aquecer, tamanha era a mobilização. Não víamos a hora de entrar em campo!
"Tenta tirar meu coração, teeenta! Não consegue! Duvido!"

O que se sucedeu foi maravilhoso. Uma partida inesquecível. Aproximadamente 12 mil torcedores cantando, um espetáculo em azul e amarelo. Salve o Pelotas, o glorioso! Vitória de 2x0. A torcida empurrando e esperando o final do jogo pra soltar o grito. Quando soou o apito final, a torcida pôde enfim gritar “É Campeão!”. Sim! Nós somos os Campeões do Centenário! Seguiu-se uma invasão do gramado, uma loucura, uma festa muito grande. Todos queriam registrar aquele momento embora desconhecessem, naquela hora, que aquele momento já estava gravado na memória, para sempre!

O ato de entrega da taça foi interrompido pelos próprios torcedores que não agüentaram esperar e tomaram a taça em suas mãos, Muitos tiveram suas vestes tiradas, torcedores pediam as meias, os calções, as camisetas. Afinal, esse título era de todos! Nunca esqueceremos aqueles momentos. A emoção nos rostos das pessoas, os agradecimentos, o reconhecimento, o choro das pessoas mais velhas, as lágrimas dos mais novos, o desfile no caminhão de bombeiros, os cânticos entoados, os acenos dos pedestres, as buzinas dos carros, as bandeiras tremulando nas janelas dos edifícios, os torcedores correndo ao lado do caminhão do início ao fim... enfim, PARA SEMPRE!"

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. Azul é minha alma. Amarelo é meu coração.